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domingo, 13 de novembro de 2011

Operação federal inédita no '180' provoca debandada no distrito de Matupi

                             Operação de combate a serrarias e desmatamento ilegais (Bruno Kelly)
 
A operação Guaricaya Matupi, formada por vários órgãos de segurança pública, além do Ibama, mexeu com a rotina do distrito de Santo Antônio de Matupi, mais conhecida como "180", cuja a população é estimada em 10 mil pessoas.

O distrito é localizado no KM-180 da rodovia Transamazônica, no Estado do Amazonas, e faz parte da região do município de Manicoré, embora ele esteja mais próximo de outro município amazonense, Humaitá.

A área, resultado de um assentamento do Incra cujos colonos venderam a maioria dos lotes para migrantes de Rondônia e do sul do país, é conhecida por estar associada ao alto índice de desmatamento, extração ilegal de madeira e fazendas de rebanhos em terreno da União supostamente invadidas.

Relatos de moradores abordados pela reportagem do portal acritica.com indicam que a presença do Ibama e demais órgãos inibiu não apenas os donos de serrarias ilegais mas também pessoas suspeitas como foragidas da justiça.

O que se vê são poucas pessoas nas ruas, um comércio esvaziado, pessoas temerosas em sair de casa (muitas delas devido à irregularidade de seus veículos). Até mesmo festas foram canceladas. Muitas pessoas elogiam a operação, outras temem o colapso do comércio.

“As pessoas estão inibidas. Acho que Matupi tem muita coisa errada, mas nem todos têm culpa”, disse uma moradora do distrito.

Segundo Carlos Fernando Carvalho de Santana, assessor militar do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e coordenador da operação, a ação provocou até mesmo o sumiço de supostos pistoleiros e bandidos foragidos que haviam se refugiado em Matupi.

Indústria 

Desde o último dia 31, membros da Comissão Interministerial de Combate a Crimes e Infrações Ambientais estão em uma grande operação no Santo Antônio do Matupi.

A presença de fiscais do Ibama e de um expressivo efetivo da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Rodoviária Nacional, do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ministério da Defesa e Fundação Nacional do Índio (Funai) serviu de alerta aos proprietários das serrarias. Muitos deles não se encontram no Matupi desde a chegada dos membros da operação, que foi batizada de Guaricaya Matupi.

O portal acritica.com apurou que as serrarias embargadas ou em vias de embargo estão localizadas em uma área conhecida como “distrito industrial”. Os galpões são construídos em lotes cuja origem da propriedade é incerta.

Antes da debandada, toras de madeira ficaram espalhadas pelos ramais próximo às serrarias.
Muitas delas estão camufladas com folhagens e outras escondidas. Até o momento, a ação na operação tem sido o embargo e o desmonte. A medição das madeiras está em processo.
Crescimento

Desde o início deste ano, o distrito de Santo Antônio do Matupi, localizado na região no município de Manicoré, no sul do Amazonas, registrou a instalação de pelo menos 11 serrarias ilegais, com maquinários destinados a corte de toras de madeira retiradas de áreas clandestinas.

Até 2010, o distrito registrava a existência apenas de serrarias detentoras de licenciamento de operação expedido pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Havia registro de serrarias ilegais, mas não contabilizadas.

A repentina instalação de enormes galpões com equipamentos para corte no Santo Antônio do Matupi levou o Ibama a empreender desde o início deste mês uma operação destinada a desmantelar o que poderia ser o prenúncio do avanço de uma “indústria” de serrarias irregulares no 180 e agravar ainda mais uma área que já é historicamente associada ao desmatamento e extração ilegal de madeira.

Desmonte

Entre as serrarias ilegais, há desde aquelas inscritas apenas em nome de pessoas físicas (uma delas foi identificada como sendo de um homem chamado Lazareto) a galpões onde o proprietário nega já ter iniciado a operação, embora vestígios encontrados pelos fiscais (e testemunhados pelo portal acritica.coma comprovem o contrário.

A medida administrativa tem provocado a revolta e a surpresa dos proprietários.
Diferente do que aconteceu em outras operações semelhantes, o Ibama não apenas lacra, embarga e multa, mas desativa e desmonta o maquinário, apreende e os transfere para um galpão da prefeitura de Apuí (a duas horas de carro de Matupi).

A medida é para evitar que os proprietários retirem os lacres dos maquinários após o término da operação. Para recuperar o bem, apenas com o acesso ao Licenciamento de Operação junto ao Ipaam.
Até nesta sexta-feira (11), quatro serrarias foram embargadas e tiveram o maquinário desmontado e retirado.

Segundo o chefe de fiscalização da superintendência do Ibama e coordenador da operação no Matupi, Jerfferson Lobato, após a abordagem dos fiscais, é comum que os proprietários e gerentes aleguem que já haviam entrado com o pedido de Licença de Operação junto ao Ipaam.

Documentos, contudo, comprovam que estes pedidos foram enviados apenas quando a operação do Ibama começou.



a critica.

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